domingo, 21 de julho de 2013

O Salvamento da Jiboia

           Essa história aconteceu no Encantado me 10/02/2013. Chegamos domingo de manhã e estávamos lá em nossas atividades normais. Nosso guardião, o Panthro corria prá lá e prá cá latindo. De repente cismei que o latido dele estava diferente. Rosângela olhou da janela e gritou "Corre que é cobra!". Passei a mão em uma foice que estava perto e fui ver. Era uma jiboia. Ela tentava picar o Panthro e ele queria pegá-la. Como era uma cobra inofensiva, fui buscar a coleira e guia e afastei o Panthro, prendendo-o no canil.
          Após isso, fui para a fase de pensar o que fazer com a cobra. Primeira etapa, obviamente, foi a sessão de fotos. Aí entendi o que tinha acontecido. Provavelmente, a jiboia entrou na área cercada do alambrado durante a noite e comeu algum animal, um sapo ou algo assim. Com o estômago cheio e o meio do corpo dilatado, não conseguiu mais passar pela malha do alambrado e o Panthro a achou.
           Depois das fotos começou a operação salvamento. Coloquei-a num tambor de plástico e a levei para uma área distante, próxima do Santana e, depois de umas observações (impressionante o "bafo da jiboia"). Ela sopra quando se sente ameaçada. Quando a soltei, ela ainda ficou um tempo meio perdida, permitindo algumas filmagens. Depois, foi embora e nunca mais a vi. Espero que tenha encontrado outra moradia e que não precise mais visitar nosso quintal. Apesar de inofensiva, é assustadora.

Ela parecia querer se esconder atrás da folha.


Sentindo o clima através da língua


Bye bye.
 Videos:

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Um Pé De Jequitibá Rosa No Meio Do Mato


Plantei um pé de jequitibá rosa no meio do mato. Para lembrar o tempo em que o amor estava escondido e eu não via. Ele estava lá, meio perdido em meio a outras coisas, outros sentimentos. Estava lá, se firmando no solo da minha vida, espalhando raízes, marcando território, se desenvolvendo. Feito um jequitibá-menino, no meio da mata, perdido em meio a árvores maiores, confundido entre outros verdes, mas lá, no seu lugar.
O amor também estava lá, desapercebido. Eu passava e não via. Eu sentia e não sentia. Ou sentia mas não sabia. Não sentia o sabor. Não aproveitava o calor. Não me abrigava. Talvez não desse o valor porque o achava pequeno. E me perguntava: Um amor pequeno também é amor? Há medida para isso?? O jequitibá deixa de árvore por ainda ser pequeno, por estar oculto, por não estar percebido?
Até a gente mesmo, quando sabemos o que somos? Quando tomamos conhecimento de nosso eu? Qualquer que seja a resposta, nem por isso deixamos de sermos a pessoa que somos.
O amor também não. Ainda que o achemos pequeno, se for amor, será como o jequitibá no meio do mato. A gente deixa ele lá e ele vai tomando conta do espaço. Estende seus galhos em abraços, enrola cipós em laços, estende raízes profundas que atravessam o coração (do chão fértil, peito de homem), braços enlaçando corpos nus.
E quando achamos que vamos continuar ignorando-o, ele emerge acima de tudo e já não dá mais para fazer de conta que ele não está lá. Ele é O amor. Ele é A árvore. Ele é O jequitibá. E a vida já não é possível sem ele. “Não dá mais pra segurar. Explode, coração”.
Sabe aquela altura média das árvores, quando a gente vê uma mata com copas uniformes? Ressalta-se aqui e ali pequenas ondulações de árvores um pouco mais altas ou um pouco mais baixas do que as outras e a gente enxerga um todo. Pensa naquilo com igualdade, com uma idéia de que tudo é a mesma coisa. Agora imagine um pé de jequitibá rosa despontando acima da copa das outras árvores. Tronco ereto se destacando, se lançando pro alto, gritando sua força de atração. E quando chega lá no alto, despacha seus galhos, estampando-se como um outdoor onde está escrito: “Sou EU, o Amor”. E quando você acha que acabou, o verde das folhas se pinta de rosa. São as flores do jequitibá-rosa.
Assim é o Amor: um nada que se torna tudo.
Por isso plantei um pé de jequitibá no meio do mato. Para vê-lo crescer e dominar a paisagem. Para lembrar de um amor que eu não via e que não tinha, mas que veio para fazer diferença.
Como diz Adélia Prado: “O amor quer abraçar e não pode. A multidão em volta, com seus olhos cediços, põe caco de vidro no muro para o amor desistir. O amor usa o correio, o correio trapaceia, a carta não chega, o amor fica sem saber se é ou não é. O amor pega o cavalo, desembarca do trem, chega na porta cansado de tanto caminhar a pé. Fala a palavra açucena, pede água, bebe café, dorme na sua presença, chupa bala de hortelã. Tudo manha, truque, engenho: é descuidar, o amor te pega, te come, te molha todo.
Mas água o amor não é.”

quinta-feira, 14 de março de 2013

Fotos da semana

Meu Jardim

Vander Lee


Tom: C
  
(intro 4x) Am9Am9
Tô relendo minha lida, minha alma, meus amores
                  E7
Tô revendo minha vida, minha luta, meus valores
                  F9           C/E              Dm7
Refazendo minhas forças, minhas fontes, meus favores
      Dm7/C        Bm7(b5)                          E7  Am9
Te regando minhas folhas, minhas faces, minhas flores

Am9
Tô limpando minha casa, minha cama, meu quartinho
                    E7
Tô soprando minha brasa minha brisa, meu anjinho
                   F9             C/E        Dm7
Tô bebendo minhas culpas, meu veneno, meu vinho
      Dm7/C         Bm7(b5)                    E7
Escrevendo minhas cartas, meu começo, meu caminho

(refrão)
                      F9   C9
Estou podando meu jardim
           F9       C9
Estou cuidando bem de mim
                 F9       C9
Estou podando meu jardim
                F9 C9
Estou cuidando bem de mim

(repete tudo)









domingo, 10 de fevereiro de 2013

Quatro Árvores, Três Histórias III - Dois Ipês


Aproveitando que caiu do ceu um pouco de tempo, vou retomar uma história que comecei a contar aqui (http://noencantado.blogspot.com.br/2012/05/quatro-arvores-tres-historias-i.html), coloquei a segunda parte aqui (http://www.noencantado.blogspot.com.br/2012/05/quatro-arvores-tres-historias-ii.html) e pretendo acabar nesse texto.
Me propus a contar três histórias com quatro árvores, mas menti um pouquinho, porque podem ser cinco ou mais árvores.

Se na parte um falei da quaresmeira e na parte dois escrevi sobre a paineira, o assunto de hoje serão os ipês. E não poderão deixar de ser assunto, os amigos.

A beleza dos ipês sempre me fascinou. Amarelos, roxos, rosas. Tenho um ipê rosa em frente a minha casa, plantado por mim e meu filho GAbriel, ainda em 1988, quando nem a casa existia. É uma alegria para os olhos quando ele se enche de flores. Muitos vizinhos se maravilham com ele. De vez em quando, escrevo um texto tendo essa árvore como inspiração. Aqui tem um texto assim. (http://cronicasdeitau.blogspot.com.br/2012/07/o-tempo-nao-para-29062002.html). A história mesmo dessa árvore ainda vou deixar para escrever outro dia, mas, por necessário, conto que a muda desse ipê me foi dada pelo meu amigo Márcio, retirado do jardim da casa de sua mãe, pelo menos um ano antes de ser plantado.

O Márcio e a Solange sempre foram muito presentes em minha vida (mesmo quando estavam longe). São grande parceiros do Encantado (têm o privilégio de ter um quarto habitual lá (o quarto 1 é chamado de “Quarto do Marcão”). Têm contribuído com doações, com torcida, com suor (cercas e quarups), com a presença e com sua alegria dentro de nosso objetivo.

Quando juntamos nosso primeiro lote de árvores a serem plantadas (http://noencantado.blogspot.com.br/2011/01/aquisicoes-do-dia-21122010.html) dentro de nossa ideia de vincular árvores a pessoas, logo escolhemos duas delas para serem plantadas por esse casal singular. Lembrando daquela história de meu ipê rosa em frente minha casa, selecionamos um par de mudas de ipês brancos, mudas pequenas, frágeis, que ainda ficaram bastante tempos sem serem plantadas.

Em abril de 2012 foram, enfim, plantadas. Tempo ruim para plantar, fim das chuvas, logo início do frio, quando os ipês perdem suas folhas, mas não aguentava mais ver aquela mudas por plantar. Cuidei delas, aguei, retirei mato, vi as folhas caírem e ficar apenas um graveto com cara de perda total. Me preocupei com elas.  Passou a seca, passou o frio e chegaram as chuvas.

As mudas estão lá. Viçosas, procurando o sol, lançando suas folhas novas, renascendo. Não se perderão. Foram plantas “mais perto do que devia” para ficarem mais juntas, misturarem suas copas, fecundarem mutuamente suas futuras flores e lançarem suas sementes. Num futuro, haverá mais ipês brancos naquelas redondezas.

E quem sabe, haja também mais amor, mais companheirismo, mais perseverança. Vi esses amigos passarem por dificuldades (e quem não passa) mas vejo com satisfação sua insistência, sua luta, nosso amadurecimento.

Márcio foi meu amigo de juventude, ouvido fiel para minhas dúvidas, inseguranças, meus medos, meus sonhos, minhas “viagens”, minhas “canoas-furadas” e meus planos. Parceiro para muitas coisas.

Ainda não tivemos tempo para relembrar o que já fizemos. Ainda estamos preocupados com o presente e com planos para futuro. Ainda procuramos nos conhecer. Quem sabe daqui a uns trinta anos possamos nos encontrar (quem sabe debaixo de brancos pés de ipês floridos), falando da amizade, da beleza, da vida... e pedindo mais trinta anos para falar do passado....

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Fotos da Semana

Recomeçando as postagens no Encantado com uma coleção de fotos da semana (ou de pelo menos umas três semanas...).
Daqui a alguns dias, tem texto novo. Não desanimem, please.









Só assim, só imagens, sem palavras.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Mudou o Natal ou mudei eu?


  
Essa pergunta sempre nos ronda quando chega essa época. É natural que tenhamos saudades de natais de nossa infância, ou até de outras natais que proporcionamos a nossos filhos. É corriqueiro se ouvir que o natal virou apenas uma data comercial, centrada no lucro, no consumismo, no excesso de comida e bebida.  Reclamamos (apesar de não fazermos quase nada para mudar isso) que no natal lembramos muito mais do Papai Noel do que do aniversariante. A tv nos inunda com especiais de fim de ano, propagandas aos montes, papai-noeis (e mamães) para todos os gostos. Os filmes natalinos variam das diversas versões de "Um Conto de Natal" de Charles Dickens aos intermináveis "Esqueceram de Mim".
Mas a pergunta continua nos rondando: o natal mudou ou fui eu que mudei? Lembramo-nos que um Menino nasceu há mais de dois mil anos, no desconforto de uma manjedoura, mas no aconchego de uma Família? Distante das manchetes, mas rodeado de pastores, ovelhas e outros animais de estábulo? Lembramo-nos que uma estrela nova nasceu e serviu de farol na noite escura em que ele nasceu, longe das luzes da cidade? Será que nos lembramos que, na data distante daquele Nascimento, os poderosos do lugar ignoraram o ocorrido, mas três reis estrangeiros vieram adorar o Menino? Passa por nossa cabeça que o Menino veio para ensinar os homens a agir diferente?
O Natal mudou? Haverá ainda esperança na humanidade ou o verdadeiro significado do Natal ficará apara sempre oculto em nosso comodismo, nosso cansaço, nosso egoísmo, nossa sede de consumismo?
Ronaldo, o otimista incurável, responde: Calma, meus amigos. Nem tudo está perdido. Em meio a tanta publicidade, tanto incentivo ao materialismo, existem, sim, pessoas que comungam o ideal do Natal verdadeiro. Só em meu serviço, participei de três campanhas de solidariedade. Muita gente vai dizer que são campanhas temporárias, que não resolvem o problema... Ronaldo, o otimista incurável, vai retrucar: Engano seu. As pessoas que se envolvem nessas campanhas cultivam esse comportamento durante todo o ano. Talvez elas apareçam mais nessa época, já que pedem a colaboração de outras pessoas, em nome do "Espírito do Natal". E isso é legal, porque dá oportunidade para que mais gente embarque nessa onda.
Nosso defeito é não perceber que existem pessoas boas que trabalham pelo bem comum. Nossa falha é participar apenas de campanhas temporárias e acalmar nossas consciências com isso. Nosso pecado é nos esquecer no dia a dia, que um Menino nasceu numa noite de Natal para que o mundo fosse mais justo. Mas isso pode mudar.
No meio dessas reflexões, desejo a todos um Feliz Natal. E um mundo melhor.